No Dia do Engenheiro Aeronáutico, conheça o trabalho que acontece longe dos olhos dos passageiros e entenda como os Ensaios Não Destrutivos, a normalização e a capacitação contribuem para a segurança de cada voo.
Um voo só é rotina porque a engenharia o tornou verificável.
Por trás de uma aeronave que cruza o céu, existe um trabalho que começa muito antes da primeira decolagem. São anos de pesquisa, projetos, cálculos, testes e decisões técnicas que tornam possível algo que hoje parece tão natural: voar.
Essa trajetória está diretamente ligada à história da engenharia aeronáutica brasileira, construída por diferentes gerações que transformaram ideias em conhecimento, instituições e tecnologia.
Em 1906, Alberto Santos Dumont realizou, em Paris, o voo histórico do 14-Bis, demonstrando publicamente a capacidade de uma aeronave mais pesada que o ar de decolar por seus próprios meios. Aquele momento se tornaria um marco da aviação e uma referência para gerações de brasileiros.
Décadas depois, Casimiro Montenegro Filho compreendeu que o desenvolvimento da aviação nacional dependeria da formação de engenheiros e da construção de uma estrutura científica e tecnológica própria. Idealizou o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), criando bases fundamentais para o desenvolvimento da engenharia aeronáutica no país.
É em homenagem ao seu nascimento, em 28 de outubro, que celebramos o Dia do Engenheiro Aeronáutico. Casimiro Montenegro Filho é reconhecido como patrono da Engenharia da Aeronáutica.
Essa história também ajuda a compreender a trajetória de Ozires Silva. Ainda jovem, ele se fazia uma pergunta que acompanharia sua vida profissional: “Por que o país de Santos Dumont não fabrica aviões?”
A resposta começou a ganhar forma no próprio ITA, onde se formou engenheiro aeronáutico em 1962. Anos depois, Ozires liderou o desenvolvimento do projeto que daria origem ao Bandeirante e esteve à frente da criação da Embraer, em 1969.
A Embraer, que se consolidou como uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo, também faz parte da história da Abendi como sócia patrocinadora da entidade. Essa conexão aproxima a associação de uma indústria em que conhecimento técnico, desenvolvimento tecnológico e integridade de componentes são indispensáveis.
Mas a engenharia não encerra seu trabalho quando uma aeronave deixa a fábrica. A responsabilidade pela integridade de seus componentes acompanha toda a vida útil da estrutura.
O que não vemos também importa
Uma aeronave pode permanecer em operação por décadas. Nesse período, seus componentes estão sujeitos a diferentes condições de utilização, desgaste e fadiga, exigindo acompanhamento técnico e inspeções periódicas.
É nesse cenário que os Ensaios Não Destrutivos (END) desempenham um papel fundamental.
Métodos como Líquido Penetrante, Partículas Magnéticas, Correntes Parasitas, Ultrassom e Radiografia permitem identificar descontinuidades e avaliar materiais e componentes sem comprometer sua utilização.
Entretanto, a confiabilidade de uma inspeção não depende apenas da tecnologia. Depende também de quem executa os ensaios, interpreta os resultados e aplica os critérios estabelecidos.
A normalização acompanha a evolução da aviação
Na indústria aeroespacial, a qualificação e a certificação de profissionais de END seguem requisitos específicos, entre eles os estabelecidos pela NAS 410, referência internacional publicada pela Aerospace Industries Association (AIA).
Em dezembro de 2025, a norma recebeu uma atualização, a Revision 6, que trouxe mudanças nos requisitos de qualificação e certificação de pessoal.
No Brasil, a ABNT NBR 16243, voltada ao segmento aeronáutico, também entrou em discussão para revisão em 2026. Em setembro, a Comissão de Estudo responsável pelo tema manifestou parecer favorável à proposta de revisão, considerando a NAS 410 entre as referências técnicas do processo.
A Abendi participa desse ambiente de normalização, contribuindo para o diálogo entre os requisitos técnicos e as necessidades dos profissionais e organizações que atuam com inspeção aeronáutica.
Quer contribuir para as próximas discussões?
A revisão da ABNT NBR 16243 é uma oportunidade para ampliar o diálogo entre especialistas, fabricantes, instituições e profissionais do segmento aeronáutico.
Os interessados em acompanhar ou participar das próximas discussões podem entrar em contato para saber como contribuir com os trabalhos da Comissão de Estudo.
E-mail: ons-058@abnt.org.br
WhatsApp: (11) 5586-3145
Capacitação: o elo entre a norma e a prática
Se a engenharia transforma conhecimento em segurança, a preparação dos profissionais é parte indispensável desse processo.
Entre os requisitos de uma norma e sua aplicação em um componente real, existe o trabalho de pessoas que precisam compreender procedimentos, reconhecer descontinuidades e interpretar resultados com precisão.
É nessa conexão entre conhecimento e prática que a Abendi também atua.
O treinamento Líquido Penetrante para o Setor Aeronáutico (NAS 410 – ISO 9712) combina conhecimentos teóricos e atividades práticas de inspeção, contribuindo para a capacitação de profissionais que atuam no segmento aeronáutico.
PRÓXIMA TURMA | INSPEÇÃO AERONÁUTICA
- Período: 23 de novembro a 11 de dezembro de 2026
- Carga horária: 40 horas
- Modalidade: Semipresencial
- Atividade prática: CETRE | São Paulo/SP
CONHEÇA O TREINAMENTO E INSCREVA-SE
Neste Dia do Engenheiro Aeronáutico, a Abendi reconhece os profissionais que fazem a aviação brasileira avançar e todos aqueles que trabalham para preservar a integridade e a segurança das aeronaves.
Porque aquilo que se tornou rotina para quem voa continua exigindo conhecimento, dedicação e responsabilidade de quem faz voar.

